terça-feira, 7 de setembro de 2010

Big Brother rodoviário

É só mais uma forma de alguém associado ao Governo no meter uns trocos ao bolso e o Estado cobrar ainda mais aos contribuintes ...


SCUT é uma auto-estrada em regime de portagens virtuais, cujos custos são suportados pelo Estado Português. A construção e manutenção é da responsabilidade de uma empresa concessionária. A sigla SCUT é uma abreviatura de "Sem Custo para os UTilizadores".

Fonte: Wikipédia
Como o próprio significado de SCUT diz, este tipo de vias não deveria ter custos para os utilizadores uma vez que as mesmas são "pagas" pelos contribuintes através dos impostos e a quando da construção, estas são financiadas por fundos comunitários.
Agora com esta medida, além de continuarmos a pagar as estradas que não usamos, as que usamos são pagas duas vezes, 1º através dos impostos e a 2ª quando a utilizarmos, ou seja, a óptica do Utilizador --> Pagador.
De salientar que existem SCUT's que foram construídas sobre troços de antigas IP's (Itinerário Principal) e IC's (Itinerário Complementar), como tal as alternativas que surgem a estas actuais SCUT's são as estradas nacionais e municipais, que se encontram com elevado estado de degradação devido à ausência de fluxo rodoviário e também de fundos por parte das autarquias. Aqueles que utilizam as IP's e IC's que foram convertidas em SCUT's, não tem grande alternativa, ou andam por estradas degradadas e poupam na portagem e gastam em combustível, manutenção da viatura e tempo na viagem, ou pagam a bela da portagem e chegam ao destino em menor tempo. Perante este panorama não sei qual a melhor opção.
Este tipo de "medidas" vem fomentar ainda mais a diferença existente entre o Litoral e o Interior. Uma das razões da criação das SCUT's era permitir que existisse um eixo de ligação entre o Interior e o Litoral e desta forma potencializar a economia destas regiões com enorme taxa de desertificação, e tal efeito fez-se sentir em algumas regiões.
Consequentemente, muitas autarquias optaram por aproveitar o facto de terem "ali à mão" uma óptima via rodoviária para atrair empresas para a região, através de benefícios fiscais, custos reduzidos de terreno por m2, e tal aconteceu, as empresas viram nestas medidas uma mais valia para a sua implementação nessas regiões. Com a aplicação das novas regras das SCUT's, esta mais valia deixa de existir uma vez que os custos com os transportes vão ser superiores aos benefícios fiscais "dados" pelas autarquias onde se encontram.

A meu ver este tipo de políticas só sustenta mais a ideia de que Portugal é Lisboa e a sua área metropolitana e que o restante território tem apenas a finalidade de pagar impostos, os benefícios ficam todos pela capital ...

A aplicação desta medida, vai levar ao aumento do desemprego, uma vez que vão deixar de existir os portageiros, caso que já se verifica em algumas portagens da Brisa, onde estes funcionários foram substituídos por máquinas automáticas, idênticas às dos parques de estacionamento pagos. (artigo na Exame Informática)

Acho que agora com estas novas regras o significado de SCUT, deveria passar a ser "Só Custa ao UTilizar".

Artigo: Diário Económico
Vídeo: RTP

nota: eu sei que a Wikipédia não é fonte fidedigna, mas neste caso exprime bem o significado em questão.

2 comentários:

  1. Como não sabia onde agradecer, nem tinha por onde o fazer, fica neste post, o meu obrigado pelo apoio que me tens transmitido. Obrigado **

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  2. Também tens um blog?! Acabaste de ganhar mais um visitante ;)

    Eu tenho uma certa dificuldade em falar sobre este assunto. Acabar com as SCUT é uma forma de igualdade entre outros utilizadores que têm de pagar portagens. Estamos a usufruir do mesmo tipo de serviço, em teoria, claro. Na realidade as desigualdades entre Lisboa, por exemplo, e o norte em termos de salários, volta a desequilibrar as coisas. Além disso, não há alternativas viáveis, se considerar-mos o caso Viana-Porto.

    E como dizes, as auto-estradas já deviam estar pagas. A falta de dinheiro no país resume-se a incompetência de muita gente.

    cumps,

    Pedro

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